Temos observado o aumento significativo das mortes por doenças relacionadas com a obesidade, principalmente o infarto, derrame e câncer. A relação entre a obesidade e as doenças cardiovasculares e o câncer é a inflamação crônica subclínica, que pode ser silenciosa e ocorrer por vários anos.

Este tipo de inflamação é diferente da inflamação aguda com sinais e sintomas clássicos como inchaço, vermelhidão e dor. A inflamação crônica subclínica não se apresenta clinicamente, mas aumenta gradual e progressivamente, com risco da geração e perpetuação das doenças crônicas degenerativas e do infarto, acidentes vasculares e câncer.

A inflamação crônica subclínica faz parte de um conjunto de condições conhecidas como Síndrome Metabólica, que é a maior causa de mortes em todo o mundo. Essas condições são: obesidade, dislipidemia (alterações dos níveis de colesterol), hipertensão arterial, estresse, diabetes, resistência insulínica (níveis elevados de insulina), alterações nos marcadores inflamatórios como PCR (proteína C reativa), homocisteína, TNF alfa, lipoproteína A, vitamina D, inadequados níveis hormonais e de vitamina D, etc.

A presença de alguns desses fatores adicionados a um estilo de vida pouco saudável, com tabagismo, consumo exagerado de álcool e sedentarismo, formam uma equação de elevado risco de morte, principalmente pelo câncer e doenças cardiovasculares.

Confirmando essa tendência, um trabalho recente publicado pela Cancer Prevention Research, revelou a presença de inflamação das mamas associado com a aromatase, aumento das células de gordura mamária e disfunções metabólica sistêmica (aumento proteína C-reativa, leptina, insulina e triglicérides) em mulheres com índice de massa corpórea (IMC) normal, concluiu que estes fatores estão relacionados ao câncer de mama.

A prevenção e o tratamento da inflamação crônica subclínica vai muito além do que oferecer medicamentos para baixar o colesterol, a pressão arterial ou o açúcar no sangue. É necessária uma abordagem médica mais ampla e mudanças no estilo de vida. Dessa forma, através de uma visão integrada do ser humano, com menor intervenção medicamentosa e maior orientação em saúde, e também com a utilização de recursos terapêuticos mais naturais, como fitoterápicos e complementos ortomoleculares, pode-se tratar as causas e não os efeitos das doenças.

Paulo Salustiano

Médico – CRM-MT 4110

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